Falar em escola cívico-militar é fácil. Esse modelo costuma surgir como uma solução rápida para problemas que, na verdade, começam muito antes do aluno colocar os pés na sala de aula. Podemos adotá-lo em Limeira, sim, e ele pode até contribuir para melhorar disciplina, organização e ambiente escolar. Mas é preciso lembrar de algo que, muitas vezes, passa despercebido no debate: nenhuma instituição substitui a responsabilidade dos pais.
Os desafios sociais que vemos hoje — violência, indisciplina, desmotivação, ausência de limites — não nascem dentro das escolas. Eles começam dentro das casas, quando faltam referências, presença, diálogo e, sobretudo, amor.
Não é o uniforme, a hierarquia ou o regulamento que formam um cidadão; é a base emocional, ética e afetiva construída no lar.
Escolas podem complementar, orientar, direcionar. Mas é no colo da família que a criança aprende a primeira forma de respeito.
É no olhar dos pais que ela descobre o que é afeto.
É no exemplo diário que ela entende o que é responsabilidade.
Sem amparo emocional, sem limites claros e sem o amor verdadeiro, nenhuma estrutura escolar — cívico-militar, tradicional ou inovadora — será capaz de resolver sozinha os problemas que se refletem na sociedade.
Por isso, antes de buscarmos modelos prontos, precisamos retomar o essencial: a família é o primeiro território da educação. A escola apoia, mas o lar é a raiz. E onde a raiz é forte, o futuro floresce.